sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

1ª parte

Quando ela desligou o computador, olhou-se no espelho e viu duas lágrimas tímidas que lhe escorriam pela face. Sentiu o coração bater fraco, quase sem forças. Lembrou-se dos seus 18 anos, época em que as flores e o céu eram coloridos, afinal, tudo o que enxergava, no exato momento, era uma imensidão esfumaçada quase sem formas.
Procurou abrigo debaixo de um edredom, o mesmo da noite anterior e de tantas outras madrugadas. O sono nunca vinha, e a noite parecia cada vez mais longa. Aquelas palavras tão duras e tristes ecoaram várias vezes em seu pensamento, parecendo dois punhais fincando o lado esquerdo e direito de seu coração.
Pobre menina! Nunca conseguiria entender que o amor não era feito para ela, afinal, sua função era, nada mais, nada menos que ajudar as pessoas da maneira que podia e ser uma boa amiga. Deveria entender que o amor era para poucos e que Deus escolhia uns para ser guardiães ocultos, ou seja, cuidar de longe, sem poder sequer olhar olhos nos olhos, enquanto que outros, os guardiães escolhidos, poderiam cuidar de perto, ou seja, amar e ser amado. E ela era uma guardiã oculta, cuidava de longe, bem de longe... à longa distância. Era por isso que, às vezes, possuía o olhar tão distante, tão distraído. Mas ela já havia sido uma guardiã escolhida. Cuidou, zelou, com tanto carinho... com todo o amor que habitava dentro de seu ser. Mas a vida, ahhh, a vida! Tão injusta e traiçoeira, a fez despencar de seus doces sonhos, e desde então, passara a conviver com suas frequentes dúvidas e intermináveis perguntas.
[continua...]

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Me dá um abraço?!

Como consegui ficar tanto tempo sem fazer uma das coisas que mais gosto que é escrever? Ok, eu sei, posso muito bem sobreviver sem isso... mas... poderia eu sobreviver sem um abraço? É uma luta diária entre o poder e a vontade, explicando: eu sinto vontade de abraçar, mas isso nem sempre significa poder fazê-lo. Se eu roubo, alguns acham ruim, se peço, muitas vezes o negam. Eita, pessoal mais frio! Ou sou eu que sou muito melosa, carente ou sei lá o quê? Engraçado... eu venho tentando ser tão fria e apática em certas situações (eu disse EM CERTAS SITUAÇÕES), mas acho que isso não combina com o meu espírito e com o meu jeito de ser. Não, e não venha me dizer que é por esse motivo que ando tão "sem abraços", afinal, raramente uso minha frieza, apenas quando é necessário.
Voltando ao assunto, mendigar um abraço ou um pouco de atenção é um saco! Por que as pessoas não são mais acolhedoras e vêm logo com um "ahh, me dê um abraço!"
Ó, meu Deus, pudera eu ter o privilégio de ficar uns dez minutos abraçada sem dizer nada a alguém... Ok, ok, não estou com esta bola toda. Mas... vem cá: me dá um abraço?!